
Todo mundo que está acima do peso já ouviu, uma vez ou outra, aquela famosa frase de sabedoria que todos os “entendidos” e “especialistas” em obesidade têm na ponta da língua para soltar toda vez que falam com você ou comentam sobre você com algum conhecido. E, mesmo que nunca a digam, sabemos que, intimamente, o obeso está tachado como alguém que come demais e de forma insaciável. Um glutão sem amor próprio que é capaz de tudo por um prato de macarrão ou por um sanduíche cheio de maionese. Afinal de contas: “Para emagrecer basta fechar a boca”.
Nada é mais preconceituoso ou inverídico do que esta frase. Inúmeros obesos acabam deixando-se levar por essa baboseira e começam as famosas dietas de alta restrição: “Hoje eu só comi uma folha de alface”… “Hoje, eu fiquei o dia todo sem comer”… “Hoje, só tomei líquidos”… e por aí vai.
Atitudes como estas levam a todos nós ao perigoso balé onde a música é sempre tocada por um instrumento bem conhecido de todo obeso: A sanfona.
O efeito sanfona é um problema sério que sempre ocorre após essas dietas de alta restrição. Para um organismo acostumado a ingerir diariamente cinco ou sei mil calorias e que, de repente, se vê privado de tudo ou passa a ser alimentado apenas com pouquíssimas calorias, todo o emagrecimento obtido nesse processo de restrição alimentar será perdido assim que a dieta for suspensa.
Esse fenômeno se dá como uma vingança do organismo pelo tempo em que ficou sem suas calorias diárias. Afinal de contas, os anos de evolução e de privações aos quais nosso organismo teve que se adaptar o fez entender que a gordura é uma coisa boa. Portanto, ela deve ser preservada a todo custo. Para que nosso cérebro se “acostume” com uma reserva de gordura “x” em nosso corpo; são necessários meses de manutenção da dieta e do peso corporal.
Como ninguém aguenta manter as restrições calóricas absurdas por um longo período (caso o fizesse morreria de desnutrição), assim que retorna para a dieta “normal”, o cérebro tentará restaurar a “saúde” anterior. Assim, a necessidade de comer é grandemente ampliada pelo cérebro que procura recuperar o mais rápido possível toda a gordura que o corpo perdeu para que possa fazer frente ao próximo período de escassez. O resultado óbvio é que engordamos novamente e, geralmente, engordamos mais e mais rápido.
Por isso, para emagrecer é necessário antes de qualquer outra coisa; comer.
E comer muito. Você deve alimentar-se de tudo o que está acostumado a comer. Contudo, em poucas porções que jamais devem ultrapassar o intervalo de três horas entre cada refeição. Desta forma, e com o aumento da atividade física, seu metabolismo se acelerará e seu cérebro entenderá que não há escassez de alimentos. Sua fome tenderá a diminuir e seu gasto calórico aumentar.
Lógico que todo esse processo durará um bom tempo e exigirá paciência. O emagrecimento saudável não pode ser conquistado “da noite para o dia”. Afinal de contas, quantos anos você levou para chegar ao seu peso atual?
Pense nisso.












